sexta-feira, 13 de dezembro de 2013

12/12/2013

Postado Por: with Sem Comentarios
Para Ana

Hoje me peguei a imaginar como seria caso você resolvesse voltar, mas não como minha menina, pois posso ser um tolo incurável, mas vi o fim, antes mesmo dele começar. Então me lembrei daquelas tardes tão finitas, quando eu te observava estudar com os óculos postos, os shorts curtos e o amontoado de livros. E da primeira vez que meus olhos te encontraram e pensei o quão sortudo estava sendo por ter você, mesmo sabendo que a qualquer momento poderia vir a perder… Porque sempre soube que nunca fui a pessoa para estar a seu lado, mas talvez eu tenha sido, ao menos enquanto trancávamos aquela porta, nos deitávamos naquela cama e me pegava devoto a você, que sorria diante dos meus olhares minuciosamente insistentes, que percorria meu rosto com as mãos enquanto as minhas se encaixavam em sua cintura. Você que disse “agora você pode ir” depois que selei meus lábios ao seus com cuidado, porque prometi que iria devagar. Você, que me deixava louco com aquele vestido florido e cabelos longos, você, a menina que era minha, mesmo quando o mundo todo não saberia. A menina que me fazia sentir como o homem mais feliz do mundo quando sentava em meu colo, colocava os braços em meu pescoço e juntava seu rosto ao meu, aquela que tentava ganhar minha atenção com nudez e que sempre conseguia; que foi a primeira a dizer eu te amo e a primeira a sentir as consequências disso. Eu, logo eu, esse tolo incurável, o primeiro a tocar aqueles lábios, tirar aquele vestido, dormir sentindo aquele cheiro. Você, a menina que sentiu na pele as dores da vida por não estar com a pessoa certa e a primeira a desistir.
Hoje me peguei a imaginar como seria caso você resolvesse voltar, nem que fosse pra dizer um olá, para me dizer que agora talvez tenha encontrado a pessoa certa, que estava enganada, eu não era mesmo essa pessoa e que agora estava realmente apaixonada. Então eu te diria que finalmente aprendi a levar a vida, que ando bebendo demais, fumando demais, dormindo demais… Diria que minha vida foi reescrita, mas que estou bem. E que tenho escrito sobre você, que queria há algum tempo poder te dizer que finalmente entendi que às vezes as pessoas pensam que querem algo e mais tarde percebem que não era bem assim. Que você era nova demais, que tudo aquilo era precitado demais, louco demais. Eu continuo não entendendo porque as coisas foram daquele modo, mas entendo que não havia uma maneira positiva de acabar. Gostaria que soubesse como mudou minha vida e todos os meus planos, e embora eles tenham sido reescritos com sua partida, as lembranças são como pontos fixos no tempo que não podem ser alteradas, isso criaria um paradoxo, então, menina, não esqueça como eu sempre soube o quanto você era linda, como compartilhei da sua cama e dos seus sonhos, como te observei dormir e de como, um dia, eu fui a pessoa certa. E por ultimo, quero que saiba como estou orgulhoso de te ver crescer, mesmo de longe, mesmo continuando sendo algo proibido… Sabe, não precisa me evitar, sei bem o meu lugar, mas não trate como importuno alguém que um dia você desejou que passasse uma vida a seu lado.
Nesse momento teria que pedir desculpas, pois ainda há algumas coisas que eu preciso dizer: quem quer que seja o seu amor, seja ele o certo ou mais um errado (como eu fui), nenhum deles vai escrever tanto sobre ti, nenhum deles vai te beijar sempre pensando que será a última vez, ninguém jamais vai te amar como eu te amei. E embora não pareça, eu estou bem, em outros tempos você estaria orgulhosa. 

13/12/2012

Postado Por: with Sem Comentarios
Para Ana



Há cerca de dois anos nos sentamos nos bancos do metrô e eu segurei sua mão, lembro-me de como um velho parecia nos encarar, senti vontade de rir, mas não sabia se devia. A estação era a próxima, então descemos logo, você tirou uma foto de sua bolsa e me entregou, em seguida pediu que entregasse minha camisa, aquela que eu prometera trazer pra lhe dar. Pensando bem, tudo aquilo exalava despedida.
Da ultima vez em que te beijei você parecia tão apressada para ir embora e você foi, olhando para os lados, como se fossemos ser pegas. Então eu soube, aquela havia sido a ultima vez.
Essa noite, em meus sonhos, você resolveu voltar. Entravamos nos elevador com alguns parentes, você segurava meu coelho branco, todos parecíamos felizes, faríamos algo importante lá em cima. De repente comecei a cantarolar Wherever You Will Go enquanto te segurava pela cintura, talvez tenha te deixado desconfortável, porque quando a porta do elevador abriu, você correu, deixou o coelho no chão e me deixou mais uma vez. Me desesperei, ninguém entendia nada, me apressei em tentar pegar meu coelho para então ir atrás de ti, alguém gritou que iria acabar matando o bicho, aí eu desisti. Você sempre foge e eu sempre me desespero, é como os círculos, eles nunca tem fim. Em meus sonhos, assim como fomos na vida, você é quem foge e eu sou quem espera que retorne. 

30/05/2013

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Para Ana

Eu gostaria de entender porque ainda vanglorio você... A sua pele clara, o seu sorriso bobo como quem não quer nada, as suas curvas que se transformam num labirinto para a perdição e o seu coração, imerso em meio a uma infinita carência e solidão, hoje já não sei se eu o curei ou se fui o remédio receitado para a doença errada. Me lembro que teus olhos me encantavam a alma e a cada sorriso de canto ela quase podia ser estraçalhada. Talvez naquela época você fosse meu maior medo, meu pior e inconsciente pesadelo; a criatura inofensiva, linda, que me fascinaria para mais tarde me comer viva.

ausência 17/12/12

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 Encolhida na cama e com os olhos fechados Ana permanecia praticamente imóvel, a não ser pelos seus lábios que mexia sem ao menos se dar conta, a cada vez um sorriso bobo tomava os lábios daquele que a observava, sabendo que nunca seria capaz de descrever como amava quando ela fazia isso. Deitou ao seu lado, só pelo prazer da aproximação e então fechou os olhos, mas quando voltou a abri-los, encarou nada mais que sua cama vazia, junto ao seu quarto mal iluminado. Há tempos não tinha esse sonho e por alguns dias pôde até esquecer a sensação de vê-la em seus sonhos, mas ali estava ele novamente, com a mão sobre o lugar da cama a qual ela pertencera.
 Exausto demais para permanecer naquela tortura, levantou-se e caminhou até a cozinha, decidido a acabar com todo o café de sua cafeteira, engolindo aqueles pensamentos que traziam o desconforto já conhecido junto a cada gole da bebida amarga. Recostou-se no balcão, segurando a caneca com o líquido quente e enquanto o tomava, quase pode ver a sua silhueta sentada sobre um daqueles bancos e sorrindo pra ele, envergonhada enquanto comia; em outros tempos ele faria a mesma velha pergunta sobre o motivo dela ainda sentir vergonha em sua presença, agora tudo que lhe restara a fazer era deixar o café de lado, junto ao vulto daquela que amava.
 Na sala de estar, sentou no sofá e encostou a cabeça sobre as almofadas, suspirando pesadamente, numa tentativa frustrada de obrigar aquela ausência a ir para longe. Quase se entregou ao sentir o corpo dela subindo sobre o seu, obrigando-o a observá-la enquanto ajeitava os cabelos e implorava timidamente por carinho. Acabado, mas não derrotado, fechou os olhos pesadamente e se levantou, em outros tempos teria ficado, não importando como, nunca tivera como negar dar a ela o que faria até involuntariamente. 
 Saiu de casa, segurando as chaves do carro, mas desistiu de usá-lo ao vê-la encostada no capô, esperando por ele. Caminhou na direção oposta, mas gostaria de ter ido até ela, mesmo que isso não trouxesse a sensação duradoura da qual precisava. Depois de muito andar, chegou até a praia, tirou os sapatos e os deixou sobre a areia, sentando ao lado dos mesmos.  Olhava em direção ao mar, mas mal podia prestar atenção nas ondas que se quebravam umas sobre as outras, estava ocupado demais observando sua garota segurando os cabelos enquanto andava na beira do mar. 
 Sem conseguir pensar no que fazia, levantou e caminhou em sua direção e sem perceber começara a correr. A água estava na altura de sua cintura quando percebeu que não iria alcançá-la, ela havia guiado ele até ali, mas o deixara para morrer, então finalmente se pegara totalmente derrotado por sua ausência, a raiva trouxera as lágrimas e a saudade trouxera o desespero. Em outros tempos ela teria esperado e teria segurado sua mão, juntando seu corpo ao dele, mas agora ele não passava de um homem se afogando em seus próprios sentimentos.
- Deus me perdoe, eu não quero incomodar, só estou tentando encontrar meu caminho. – murmurou, mas sentindo não ser o suficiente, berrou toda a dor que vinha guardando em si – Deus, você viu minha garota? Ela tem fugido dos meus sonhos, perdi a melhor coisa que você já colocou no meu caminho! Perdoe-me se eu fiz algo errado, você sabe que isso é de se esperar de mim! – gritou as palavras enquanto as ondas o empurravam para longe – Eu planejava pedi-la em casamento, Deus, não me castigue assim... – terminou em sussurros, incapaz de continuar, assim como dia após dia sentia-se incapaz de viver sem aquela que lhe trouxera o verdadeiro significado de vida.
 Passou as mãos pelos cabelos e sentiu seu corpo terrivelmente pesado, sabendo que isso não era resultado de sua roupa encharcada e sim da sensação de derrota, a qual caminhou ao lado dele por todo trajeto de volta para casa. Dessa vez não a viu encostada em seu carro, assim como sua cama continuava vazia quando ele se atirou ainda molhado sobre ela. Fechou os olhos e passou uma das mãos sobre o lado direito da cama, sabendo que tudo que teria de sua garota agora, era sua ausência. 

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